PMs são presos suspeitos de assassinar Marielle e Anderson

Publicado em 13 de Março de 2019 às 13h39

Às vésperas de completar um ano do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, dois policiais militares foram presos suspeitos do crime. Tratam-se do sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa e do ex-PM Elcio Vieira de Queiroz. Lessa foi apontado como o responsável pelos 13 tiros disparados que executaram Marielle e Anderson. Já Queiroz, que foi expulso da corporação, foi o motorista do carro usado para o crime. 

 

As investigações ainda não responderam: Quem mandou matar Marielle e Anderson? Fonto: Mídia Ninja

De acordo com a denúncia, Lessa teria feito pesquisas sobre a rotina de Marielle e sua família e os locais que ela frequentava.

As prisões dos dois policiais ocorreram na manhã dessa terça (12). Ambos foram detidos em suas residências. Ronnie Lessa mora em condomínio na Barra da Tijuca, o mesmo onde o presidente Jair Bolsonaro tem residência. Élcio Queiroz mora no bairro Engenho de Dentro.

A polícia cumpriu 32 mandatos de busca e apreensão. Além disso, fizeram buscas em dezenas de endereços de outros suspeitos.

“É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia”, diz a denúncia. A nota do MP/RJ descreve o crime como "barbárie" e "golpe ao Estado Democrático de Direito".

A vereadora do PSol do Rio de Janeiro foi exterminada na noite do dia 14 de março de 2018, no centro da capital fluminense. Sua morte ganhou repercussão mundial. Desde então, manifestações pelo Brasil e pelo mundo cobram justiça.  

As investigações estão sendo realizadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual do RJ e acompanhadas pela Polícia Federal. A PF abriu inquérito para investigar se integrantes da Delegacia de Homicídios do Rio estariam interferindo nas investigações.

Justiça para Marielle e Anderson
Diversas atividades estão programadas para esta quinta (14), para marcar um ano do assassinato e cobrar respostas sobre quem mandou matar a parlamentar e seu motorista. No dia 18, haverá uma sessão solene na Câmara Federal em homenagem à vereadora.

Coincidências
O policial reformado Ronnie Lessa, acusado de ser o atirador, mora no mesmo condomínio onde tem residência a família Bolsonaro. O Jornal Valor Econômico divulgou matéria na qual diz que o delegado responsável pela investigação, Giniton Lages, afirmou que uma filha de Lessa teria sido namorada de um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro. No entanto, ainda não há confirmação da informação.

Além disso, a primeira reportagem sobre as prisões, publicada às 5h37 desta terça, é assinada por Chico Otávio e Vera Araújo, para o portal O Globo. Otávio é renomado jornalista que tem diversos prêmios por investigar as milícias no Rio de Janeiro. Recentemente, divulgou reportagens denunciando o possível envolvimento da família Bolsonaro com milicianos.

No domingo (10), o presidente Jair Bolsonaro divulgou um áudio atribuído à jornalista Constança Rezende, do jornal O Estado de S. Paulo. No tweet Bolsonaro afirma que ela “diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente” e ataca a imprensa. “Ela é filha de Chico Otavio, profissional do ‘O Globo’. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos”, escreveu Bolsonaro.

Na gravação, no entanto, Constança fala sobre as denúncias do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Na conversa, em inglês, a repórter avalia que “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”. Em nenhum momento declara que seria sua intenção arruinar o governo.

Em nota, o jornal O Estado de S. Paulo diz que a fake news foi distribuída pelo site bolsonarista Terça Livre. Segundo o jornal, “as frases da gravação foram retiradas de uma conversa que ela [Constança] teve em 23 de janeiro com uma pessoa que se apresentou como Alex MacAllister, suposto estudante interessado em fazer um estudo comparativo entre Donald Trump e Jair Bolsonaro”.

O Estadão alerta ainda que o Terça Livre falsamente atribui à repórter a publicação da primeira reportagem sobre as investigações do Coaf, sendo que o autor da primeira reportagem foi Fábio Serapião, também do Estado.

* Com informações da Fórum e O Globo

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